Dia a Dia

Durante 17 dias vamos estar em Moçambique (Maputo e Ilha) a partilhar ideias e experiências, com diferentes pessoas e instituições, porque acreditamos que “As pessoas fazem a biblioteca na Ilha de Moçambique”. Faça parte desta viagem.


Conheça aqui o relatório do projeto com os seus anexos e a sua apresentação final.


18 de setembro: Recebemos hoje a Resolução N. 1/CACIM/2019 de 12 de setembro de 2019, que aprova a continuidade do projeto “As pessoas fazem a biblioteca na Ilha de Moçambique”.


16 de setembro: Hoje é o dia da apresentação pública do projeto “As pessoas fazem a biblioteca”. As fachadas das bibliotecas Municipal e Distrital são decoradas com frases ditas pela comunidade.

Enquanto isso, nós imprimimos o relatório no BCI e terminámos os últimos pormenores do PowerPoint.

A caminho do Paiol, local onde será a apresentação, adultos e crianças cumprimentam-nos com muita gentileza e gritam os nossos nomes.  Sorrimos e seguimos caminho na Tchopela amarela que combina com as nossas t-shirts.

Os secretários de bairro, os estudantes do secundário, os protagonistas do grupo de teatro, as bibliotecárias e as crianças do bairro ajudam-nos a colar as frases nas paredes brancas.

Os convidados são recebidos com música macua. A apresentação começa pelo Sr. Presidente do Conselho Municipal: “Esta é uma experiência única. Poucas vezes nós temos um evento como este. Os portugueses trouxeram-nos esta experiência e nós vamos aproveitar. E nós também podemos ensinar alguma coisa porque quem ensina, aprende”

O Sr. Diretor do Turismo que acompanhou a nossa jornada acrescenta: “É importante que este projeto venha para ficar na ilha de Moçambique porque estará a ajudar diretamente os munícipes.(…) Podem contar que iremos trabalhar fortemente e firme rumo ao desenvolvimento cultural”.

O Diretor Municipal de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa agradeceu:”Um agradecimento a todas as pessoas que estiveram connosco a provar que são de fato as pessoas que fazem a biblioteca. (…) E nós saímos com uma grande expectativa que este projeto das bibliotecas continue. Não o vamos abandonar.”

“Pipliyoteka orera we” ouvimos em coro pelo Grupo Teatral da Ilha de Moçambique. Nove jovens contam-nos, em forma de estória, a importância das bibliotecas para a Ilha e para eles. 

“Eu gostaria que na biblioteca

…tivesse livros de todos os países,

… houvesse oficina de aprendizagem,

… ar condicionado para me refrescar,

…cafétaria para a gente lanchar.

Uma biblioteca é uma casa dos livros onde nós podemos ler, aprender, conhecer, observar. Estas são as ideias que nós tivemos, que vocês também podem ter”.

Frase do dia: “Kohoxukhuru a todos os homens, mulheres e crianças da Ilha de Moçambique!”


13 de setembro: São 8 horas. Estamos na Escola Secundária da Ilha de Moçambique. Os Alunos da 8ª à 12ª classes dirigem-se ao ginásio para assistirem à apresentação do blog “As pessoas fazem a biblioteca na Ilha de Moçambique”. Partilhámos algumas experiências pessoais e histórias de sucesso de algumas pessoas que participam de forma ativa nas BLX (Bibliotecas de Lisboa).

Falámos da importância da aprendizagem ao longo da vida, com vista a promover a aquisição de competências, participando e intervindo de forma plena na sociedade. E quando falámos da importância de sonhar para ter um futuro melhor sorriem como quem responde “eu também os tenho”. Sonham ser jornalistas, arquitetos, médicos, secretários, professores. E acreditam que as  Bibliotecas podem fazer a diferença nas suas vidas.

Entretanto, na Biblioteca Distrital realiza-se uma Roda de Leitura sobre “O Pinto Borrachudo”!

Frase do dia: “É tão bom sonhar.”


12 de setembro: Hoje fomos apresentar alguns dos resultados do projeto “As Pessoas fazem a Biblioteca na Ilha de Moçambique”, que decorre na Ilha de 2 a 17 de setembro. Considerando que a proposta desenvolvida visa “Consolidar a intervenção e a componente participativa global das bibliotecas públicas generalistas criadas – Biblioteca Municipal da Ilha de Moçambique e Biblioteca Distrital da Ilha de Moçambique – como polos culturais e de conhecimento local” foram apresentadas algumas recomendações tendo sido aprovado por unanimidade, pelo executivo municipal, a continuidade deste programa na Ilha.

11 de setembro: Hoje estamos a analisar toda a informação recolhida para a elaboração dos relatórios e recomendações. No entanto não queremos deixar de partilhar o momento em que algumas crianças junto à praia dos pescadores e as alunas da Escola Secundária da Ilha de Moçambique, aceitaram o nosso desafio: gravar vídeos com a frase macua “Biblioteca orera we!”, ou seja, “A biblioteca é bonita!”.

O Grupo Teatral da Ilha de Moçambique já começou os ensaios para a peça de teatro que será apresentada à comunidade no dia 16 de setembro, às 17h, no paiol.

Com um nervosismo miudinho, os participantes ouvem com atenção as sugestões do Professor Hipólito.

Frase do dia: Faltou a luz na Ilha


10 de setembro: O dia começou na Escola Secundária da Ilha de Moçambique. Camisa branca, calça, saia e gravata azul, alinhados em fila, de frente para a fachada da escola, cantam com orgulho o hino nacional.

Prometemos regressar na 6ª feira para apresentar aos estudantes o projeto “As pessoas fazem a biblioteca na Ilha de Moçambique”.

Seguimos para o Concelho Municipal da Ilha de Moçambique, para uma reunião com o Sr. Presidente Gulamo Mamudo, o Sr. Vereador da Cultura, o Sr. Diretor do Turismo, a Sra. Chefe do Planeamento e o Sr. Diretor Municipal de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa. Foram partilhadas várias ideias para ser dada continuidade ao trabalho iniciado.

À tarde voltámos ao Passamar. Como prometido, lá estava o pescador com o barco grande de lata na mão. Com latas velhas de tinta os homens do mar transformam o lixo em arte. O barco já está na Biblioteca Distrital e vai ser apresentado no dia 16 de setembro, às 17h, na Paiola.

Frase do dia: “Esta é a primeira vez que estamos a partilhar aprendendo.”

9 de setembro: O dia começou cedo no Escondidinho. Convidámos o Agnaldo, coordenador do “Parlamento Juvenil” na Ilha de Moçambique, para nos falar sobre a importância da sensibilização e capacitação dos jovens relativamente à prevenção da saúde sexual.

Agnaldo Munialavo

Juntaram-se a Fátima e a Alina, bibliotecárias das bibliotecas Municipal e Distrital, e também a Neyma, estudante universitária de enfermagem. O Agnaldo partilhou o projeto que está a desenvolver na Escola Secundária do Lumbo, contando com o apoio do Diretor da Escola e da Direção Distrital de Saúde. A partir de outubro a escola irá disponibilizar folhetos informativos sobre o HIV e preservativos aos alunos da 10ª à 12ª classe. Neste momento estão a capacitar seis estudantes da Ilha para darem continuidade ao projeto.

Sugere que ambas as bibliotecas disponibilizem coleção e atividades para esclarecer adolescentes e jovens sobre uma das grandes preocupações de saúde pública mundial.

A capacitação das bibliotecárias continuou com a partilha de técnicas e ferramentas para análise dos folhetos com ideias sonhos e desenhos partilhados pelas pessoas da ilha e das telas com as ideias e desenhos das crianças e adolescentes.

Frase do dia: “É preciso remodelar a biblioteca para ter novas dinâmicas”

8 de setembro: frase do dia: “Vamos lá preparar a semana!”


7 de setembro: Dia feriado e reservado para conhecer a ilha. Comemoram-se os acordos de Lusaca. São seis e meia da manhã, o mar acalmou mas as árvores continuam a ser sacudidas pelo vento. No areal as crianças procuram, com o olhar aguçado as contas de missangas e os cacos de porcelana da china, que são arrastados para a costa desde o tempo que navios de pouca sorte, naufragaram no Oceano Índico. Contas de várias cores, formas e de diferentes épocas. Transformam-nas em colares e vendem-nas por 200, 300 e 500 meticais, cada um faz o seu preço. Quase ao pé do forte e da Igreja de Santo António, avistamos uma jovem de 16 anos a frequentar a décima classe, esfrega as panelas com areia para retirar restos de comida da refeição da manhã. Corvos de gravata branca depenicam na areia para catar comida. Quando nos aproximamos, voam e poisam no casco do barco de pesca cor de tijolo. Junto ao centro cultural da artista Moira Forjaz, ainda em construção, juntam-se a nós quatro crianças que jogavam com uma bola de trapos. Levam-nos à praia, junto ao navio “Discovery”, em frente ao Mercado do Peixe, para darmos o primeiro mergulho no Índico.

Frase do dia: “Ilha de Moçambique orera we!”


6 de setembro: O dia começou cedo. Oito horas, um grupo de crianças da Escolinha da Ilha de Moçambique, de mão dada com os educadoras Sara e Esperança, entram na Biblioteca Distrital, com um sorriso bonito. Convidamo-las para virem desenhar a biblioteca que sonham ter. O mote para a conversa começa com “Se esta casa estivesse vazia…” “…o que punham aqui?”, “…quem seriam os convidados?”, “Como a punham mais bonita?” As propostas foram surpreendentes!

Desafiámos os adolescentes a escreverem, com recurso ao telemóvel, o seu nome na sua fotografia, promovendo assim uma atividade espontânea de literacia digital. O cruzamento de uma atividade de escrita com outra de utilização de tecnologias possibilitou às bibliotecárias o contacto com outras ferramentas de promoção da aprendizagem.

À tarde reunimos com o grupo de turismo e hotelaria. Duas empresárias da APETUR, o Diretor Municipal de Turismo e dois turistas “acidentais”. Entre muitas outras ideias, é sugerido que as bibliotecas disponibilizem mapas turísticos, realizem visitas guiadas aos locais mais emblemáticos da Ilha e promovam atividades educativas de defesa do meio ambiente, através da limpeza das praias com as crianças das escolas.

Frase do dia: “Eu levaria à Biblioteca as pessoas que eu amo”


5 de setembro: Hoje estivemos com algumas mulheres e “mamãs” que partilharam os seus sonhos e ideias para a biblioteca. Em cada rosto há sempre um sorriso. Contam com entusiasmo como amarrar a Capulana. Uma, duas três, são sempre três, porque não a usam apenas para gingar: uma para socorrer qualquer pessoa, a segunda para o que der e vier e a terceira para cobrir. Falam das suas artes com orgulho e transmitem com preocupação a arte da dança Tufo. À conversa também se juntou um artista da ilha, o Aranha como todos lhe chamam. “Não esqueçam o Maulidi, o Mapico e o Nhau” lembrou ele.

Montados no taxi mota partimos da Biblioteca Municipal em direção à escolinha no edifício da Mesquita Pilale. A fazer gincanas entre as camisas, as vassouras, os refrigerantes e as bananas, chegamos à escolinha. Meninos e meninas receberam-nos com um sorriso genuíno, do jeito que só as crianças têm. E porque as histórias que tinham já foram contadas e recontadas, pediram à biblioteca livros para partilhar. Prometemos voltar mas também queremos vê-los lá na Biblioteca, aquela no fundo da rua, junto ao bairro Macuti.

De alma cheia e com um sorriso escancarado, partimos no tchopele amarelo para o Passamar (Centro de Pesca), junto ao Celeiro. Lá estavam os pescadores, com os pés descalços enlaçados nas redes, homens novos e velhos, com as mãos gretadas do frio, do sol e do trabalho duro do mar. Perguntámos o que a biblioteca poderia fazer pelas suas vidas. Nuro Ambasse Assane, presidente dos Conselhos Comunitários de Pesca, respeitado por aquela comunidade, propôs que na biblioteca se preservasse a memória daquela arte. Seguiram-se outras ideias ditas pelo jovem sentado na raiz da árvore, e a ele se juntou aquele outro, e o outro acolá e aquele mais adiante.

Nas ruas há cartazes, nas blusas os crachás, nos cestos da Biblioteca os sonhos e as ideias e na rua principal a tela. Orera!

4 de setembro: Um dia bastante produtivo de partilha e descoberta.

O dia começou com uma conversa muito rica com lideres comunitários e religiosos, na Biblioteca Municipal.

Continuou na Biblioteca Distrital, com uma estimulante troca de ideias com algumas das pessoas ligadas à educação e às artes.

Entretanto começou a sensibilização de rua com a colagem de cartazes e muitos sorrisos!

Frase do dia: “Biblioteca como centro de tudo, formação e informação”


3 de setembro: Hoje o dia começou na Biblioteca Municipal com reunião do Grupo de Trabalho permanente.

Alima, Fátima, Faiza, Mutualibo, Abudo, Cassamo, Mussagy, Felisberto (Aranha).

Reunião com o Diretor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UniLúrio, Professor Wilson P. Nicaquela, e com o Diretor Pedagógico, Professor Jóssimo Calavete e visita à biblioteca universitária.

Almoço com o Sr. Presidente do Concelho Municipal da Ilha de Moçambique, Dr. Gulamo Mamudo

Frase do dia: “Portas abertas para mentes Abertas”


2 de setembro: Chegámos a Maputo!!! Horas e horas de viagem, algum cansaço e muita vontade de partilhar.

“Para o Conselho Municipal de Maputo, por favor!”
Fachada do Conselho Municipal de Maputo vista da Praça da Independência.
Reunião com o Sr. Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Dr. Eneas Comiche e a Sra. Diretora Municipal do Departamento de Arquivo, Documentação e Biblioteca.

Produtiva reunião de trabalho com a equipa da rede de Bibliotecas Municipais de Maputo: Afra, Lizete, Neima, Leucádia, Eliza, Artino, Lázaro, Vanusa, Isaura e Marta. Frase do dia: “As ideias são muito interessantes mas será necessário mudar mentalidades.”

Agora vamos seguir para a Ilha de Moçambique, na província de Nampula. Até amanhã.

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